Relato de uma grávida – O parto
Nossas experiências

Relato de uma grávida – O parto

24 abr 2015

Acompanhamos a gravidez todinha da nossa querida amiga Dirlene e foi com muita alegria que recebemos a notícia da chegada do pequeno Carlos Julián. Claro que pedimos para a Dir escrever correndo um post sobre o parto e compartilhar com a gente sua experiência. Se você perdeu os posts anteriores da sequência “Relato de uma grávida” leia também os textos do primeiro trimestre, segundo trimestre, sétimo mês e chá de bebê, oitavo mês e quartinho do bebê e nono mês de gestação.

Parabéns querida amiga e muita saúde para o pequeno Julián!

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Meu parto estava previsto para o dia 23 de fevereiro e no dia 24 comecei a sentir algumas contrações ainda sem dor. Chegamos ao hospital e eu fiquei em observação. Até aí tudo bem e estava tranquila e confiante. Meu objetivo era ter o parto o mais rápido possível.

Ainda na sala de preparação/observação chega o nosso almoço (o do meu esposo e o meu). Aliás, a comida do hospital de Wetzikon é excelente… Eu nunca fiquei em um hospital antes na vida, mas não tive do que me queixar.

As 12:20 mais ou menos estava terminando minha sobremesa. Quando coloquei a última colher na boca, senti um líquido descendo pelas pernas, comentei com o meu marido que a minha bolsa havia rompido, mas ele disse: “que nada deve ser só xixi”. Então eu falei: xixi involuntário?

Levantei rapidamente, chamei as parteiras e pedi para ele olhar a cor do líquido que estava saindo, já que minha barriga estava tão grande que não conseguia enxergar (esse detalhe a gente pula).

Quase tive um filho (literalmente) quando ele disse que o líquido era verde… Ou seja, com mecônio. Quando a parteira chegou, disse que era para eu não me preocupar, que eles iriam monitorar o bebê e que ficaria tudo bem. Neste momento ela perguntou: “a senhora está sentindo dores?” Eu falei que não, então ela disse: “então agora a senhora vai começar a sentir”. Foi só ela dizer isso para as dores começarem. Elas vinham muito seguidas e eram super dolorosas. Neste momento, ela disse que me levaria até a sala de parto e que pegaria uma maca. Mesmo morrendo de dor, eu decidi ir caminhando, pois tinha lido que era bom para acelerar o parto.

A caminho da sala de parto, me senti naquele programa britânico chamado “One Born Every Minute”. Eu no corredor do hospital tendo contrações. Quando eu gritei, a parteira me disse que seria pior. O segredo de acordo com ela era puxar devagar o ar e soltar da mesma forma, bem profundamente… Realmente ajuda a lidar com a dor.

Chegando na sala, as dores só aumentavam. Por volta das 14:00, ela me perguntou se eu queria algo para a dor. Eu deixei bem claro que não queria PDA, ou seja, perindural, mas que eu aceitaria algo mais fraco. Ela falou que o que ela tinha como opção, diminuiria minha dor em 20%. Eu pensei, bem, melhor do que nada e solicitei na mesma hora. Tenho que reconhecer que 20% num caso desses não é absolutamente nada e a dor seguia insuportável.

Durante as contrações, tentei morder meu marido duas vezes. Juro que foi mais forte do que eu… Na verdade, agi totalmente por instinto de morder algo e a mão dele era o que havia por perto, rs. Chegou a hora de testar posições: cócoras, de quatro, de barriga pra cima e nada era confortável. Eu que sempre pensei no parto de cócoras, me via sem opções. De repente deitei de lado e foi assim que me senti melhor ou menos pior neste caso.

Por volta das 15:00 comecei a sentir vontade de fazer força… É algo que simplesmente acontece e a parteira levou um susto e perguntou se eu já estava empurrando… Eu disse que sim e ela foi checar minha dilatação. 8cm!!! Escutar isto foi como uma sinfonia. Na hora eu soltei um graças a Deus está acabando bem sonoro e no bom e velho Português. Me lembro de ter pedido a peridural neste hora, no momento do delírio e a parteira me disse que não dava mais tempo.. Ainda bem, rs.

Sempre que via ou lia relato de partos normais, percebia que as mães utilizavam o termo círculo de fogo para definir a cabeça do bebê saindo. A dica da parteira e minha dica para todas as mulheres que desejam parto normal: Não façam como nos filmes… Não gritem! Na hora de empurrar o bebê, puxe o ar bem profundamente e ao invés de gritar, prenda o grito fechando a boca e use essa força para empurrar o mais forte possível. E foi assim que eu fiz. Quase no final, senti o círculo que tanto comentavam e posso afirmar que é a hora mais dolorida do parto. Neste momento eu disse pra mim mesma: “Isso tem que acabar agora!”. Na contração seguinte, empurrei com toda força possível. Foi com tanta força que, de acordo com o meu esposo, o bebê saiu como se ele estivesse em um tobogã. Eu ouviu um ploc e lá estava ele. Não nasceu roxo nem nada, pelo contrário, estava super bem e deu apenas um chorinho. Isso foi as 15:32.

A dor passou na hora e me senti muito aliviada.

Porque meu parto durou apenas 3 horas? Penso que sorte também foi o caso, mas além disso, posso numerar algumas coisas que acredito terem ajudado:

– praticar ioga durante toda a gravidez
– caminhar diariamente
– tomar o chá da folha da framboesa (comento mais adiante)
– não tomar anestesia (desta forma senti muito mais as contrações, sabia quando fazer força e tive o controle da situação. Já é comprovado que a PDA pode fazer o parto demorar)
– concentração

O chá da folha de framboesa é vendido em qualquer farmácia por aqui. No Brasil não tenho ideia. Comecei a tomar este chá na 34a semana, de acordo com as dicas que li na internet e vi no YouTube. Minha hebame/parteira também aprovou a ideia. Antes disso, pode causar aborto, mas conta a lenda que este chá ajuda a acelerar o parto e a torná-lo mais eficiente, além de fortalecer o útero. Na última semana de gravidez tomava quase 2 litros desta chá por dia.

Meu parto foi abençoado, não tenho o que reclamar!
Essa experiência já foi realmente única… Depois que ele nasceu, sim ELE, Carlos Julián, fiquei sem acreditar que aquela pessoinha tinha saído de mim. As vezes ainda me surpreendo e me pego pensando que eu tenho um bebê, rs. Ele nasceu com 3530gr e 48cm. Até agora não acredito que ele tenha conseguido passar, rs.

Vocês se lembram dos 4kg que a médica disse que ele teria? Erraram feio!

A aventura apenas começou e muitos outros desafios ainda vão surgir, mas isso é assunto para outros posts.

Dirlene,
Mamãe do Julián

Com carinho, Mamaes na Suica
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1 comentário
  1. kelly
    25 abr 2015

    Nossa…. que relato parto lindo…. o meu foi quase uma tragédia… mas no final deu tudo certo… no Triemli Spital… minha DPP tambem era 23/02/14 e ela veio examente na data prevista…. parabens pelo seu parto