E os supermercados, como funcionam?
Dicas

E os supermercados, como funcionam?

10 abr 2017

Uma das primeiras vezes em que pisei em um supermercado na Suíça, em 2005, foi para tirar uma foto para acalmar minha mãe no Brasil. Como assim? Bem, minha mãe estava super preocupada se eu iria me alimentar direito aqui, se tinham todas as frutas e verduras que eu gostava kkkk. Claro que ela também estava preocupada com a minha total inabilidade na cozinha, mas para isso me equipou de um caderninho de receitas onde escreveu inclusive como ferver salsicha e fazer vinagrete (JURO !!!).

Doze anos se passaram e já até joguei o caderninho fora. Mas o que aconteceu com os supermercados?

mamaes_na_suica_supermercado

Me lembro que uma das coisas que mais me assustava há 12 anos era o horário de funcionamento dos mercados. Eu me revezava entre o Migros, o maior varejista da Suíça, e o Coop, segundo maior, pois morava bem entre os dois. Mas eles fechavam super cedo, então quando comecei a trabalhar não dava tempo de fazer compras após o expediente, o que eu achava um absurdo. Estava na fase de crise da minha adaptação na Suíça e vivia na comparação com São Paulo, sentindo como se morasse na roça. Também sentia muita falta de produtos light, então vira e mexe cruzava a fronteira de Basel (morava em Binningen nessa época) e voltava da Alemanha feliz e com o porta-malas cheio.

Hoje em dia os horários estão bem mais flexíveis e as prateleiras têm mais opções, mas algumas coisas continuam iguais. O Migros, por exemplo, é uma cooperativa e continua não vendendo álcool nem cigarro. Mas comercializa esses itens através das suas outras empresas, como por exemplo o Denner ou de Kiosks dentro de algumas de suas unidades. A entrada dos supermercados Aldi (em 2005) e Lidl (em 2009) no mercado suíço trouxeram uma variedade maior de produtos e marcas, além de preços mais competitivos. Mas não dá para deixar de sentir o “domínio” super forte exercido pelo Migros e Coop, que condicionam os consumidores a caçarem promoções, cupons de descontos e programas de fidelidade. Eu estava lendo que o Aldi e o Lidl não chegam a 1/8 do faturamento das duas redes líderes de mercado, então na realidade não conseguem exercer pressão para redução de preços.

Claro que existem diversas outras redes menores e locais. Eu moro atualmente no Cantão de Aargau e vou bastante ao Volg, que não é barato, mas pela proximidade acaba sendo uma boa opção para mim. Além disso, apesar da variedade reduzida de produtos gosto da regionalidade e do atendimento personalizado dos funcionários, típico de vila de interior.

Não posso esquecer também de mencionar as delicatessen ou mercados mais “exclusivos”, como Globus, por exemplo. De vez em quando (bem de vez em quando) dou um pulinho lá para comprar alguma coisa diferente, como massas recheadas ou temperos especiais. Mas até me arrepio quando vejo algumas pessoas com carrinhos cheios. Não consigo nem imaginar o valor da conta.

Li recentemente em um artigo publicado na revista Ktipp (de 22 de fevereiro) que os preços na Suíça são muito mais altos do que a média praticada em outros países europeus. O artigo cita os números de 2015 divulgados recentemente pela EU e repartição federal de estatística, onde foram pesquisados 38 países, alguns com mesmo padrão de vida como na Suíça. De acordo com os resultados divulgados, os alimentos na Suíça chegam a ser 78% mais caros do que a média da EU. Carne chega a custar 152% a mais, legumes, frutas e batata 67%, pães 64% e leite, queijo e ovos, apesar de em grande parte serem produzidos na Suíça, chegam a ser 48% mais caros. Haja carteira!!

Mas o que me fascina mesmo são os hipermercados, onde encontramos de tudo. Tudo mesmo. Vou para comprar comida e dependendo do meu estado de humor percebo que pratico a “terapia da compra”: saio mais pobre e com o carrinho lotado de objetos de decoração, artigos de cozinha, brinquedos e até roupa. E essa compra de impulso, apesar de aliviar temporariamente meu vazio interior acaba com o meu orçamento doméstico.

Participo de vários programas de fidelidade, tento acumular pontos, pego carnês de desconto e sigo promoções, mas no fim do dia também é uma questão de comodidade. Para comprar mais barato e me beneficiar dos preços mais baixos preciso me deslocar a lugares diferentes. E isso “custa” tempo, combustível e paciência! Recentemente joguei a toalha e voltei a fazer compras on-line. Não economizo dinheiro no preço dos produtos, mas ganho em qualidade de vida. Conhecia somente o Migros (LeShop) e o Coop (coop@home). Mês passado resolvi testar um outro portal on-line: farmy.ch e estou gostando bastante. Ao contrário dos outros dois que citei, este não cobra taxa de entrega na região onde moro. Mas os preços não são baixos. Pelo contrário. Como se tratam de produtos mais bio, naturais e locais, os custos chegam a ser mais altos. Mesmo assim percebi que comprando on-line me limito muito mais à minha lista de necessidades reais. Minhas compras por impulso diminuem bastante e economizo no final do mês. Acabo fazendo uma compra mais consciente.

Com o tempo me acostumei com as diferenças, mas já paguei muito mico nos mercados suíços. Já peguei sacola de papel e saí andando, pois não tinha ideia de que tinha que pagar CHF 0.30 – atenção: hoje em dia até sacolinha de plástico custa!! Sempre esquecia as moedas de 1 ou 2 francos para destravar o carrinho então tinha que carregar uma cesta em cada braço e saía do mercado suando. Umas duas vezes me empolguei tanto e enchi o carrinho, mas só depois de pagar me lembrei que estava a pé e não tinha como carregar tudo, então tive que deixar metade das compras no balcão de atendimento ao consumidor e buscar depois kkkk. Também errei muito na hora de pesar os legumes e frutas e só hoje em dia é que me sinto segura para pedir carne ou peixe diretamente no açougue ou comprar queijo no balcão.

Foi aqui na Suíça é que descobri a imensa variedade de maçãs que existe. Eu conhecia somente a vermelha e a verde. E as batatas então? hahaha. Se reclamo do gosto sem graça das bananas gigantescas do mercado só tenho elogios para a qualidade e variedade de frutas vermelhas que podemos comprar por aqui. Ainda sinto falta de chuchu (provavelmente uma das únicas pessoas no mundo), mas dou um pulinho em lojinhas asiáticas e turcas e as vezes encontro algo parecido. E não dá para ter tudo mesmo, pois quando visito o Brasil tenho que ficar semanas sem comer “Nüsslisalat”. 🙁

Com o tempo entendi que a melhor coisa é abrir a mente para novos produtos e hábitos. Eu que peguei a fase da introdução do aparelhos de auto-escaneamento e resisti, reclamando como uma “velha” Suíça, atualmente sempre que posso escaneio sozinha ou faço compras acompanhada do scanner e adoro! Então abra sua mente também e boas compras!!

Beijo com carinho,
Grazi

Com carinho, Grazi
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2 comentários
  1. HELINY DE CARVALHO MAXIMO
    31 jan 2021

    Olà Garzi. Muito inspirador seu canal. Eu e meu marido passaremos um período em Zürich, Suíça e queria saber se o supermercado Migros faz entrega a domicílio. Você sabe me informar se dá pra pedir pelo app ou quanto precisa gastar para ter frete grátis?

    Obrigada

    • Oi Tudo bom?

      Tanto o Migros quanto o Coop eles entregam e você pode comprar pelo APP ou site.
      O valor para frete gratuito varia e as vezes eles fazem promoção lançado frete grátis.

      Abraços
      Rita